Levantamento aponta mais de 5 mil ações e R$ 2,2...
Ler mais
O Alerta Bilionário: Por que a nova NR-1 é um marco para a saúde mental no trabalho?
A relação entre trabalho e saúde mental nunca esteve tão em evidência no Brasil. Um levantamento recente, baseado em dados judiciais, revelou que os riscos psicossociais no ambiente de trabalho já motivaram mais de 5 mil ações na Justiça do Trabalho desde 2014, somando um montante de aproximadamente R$ 2,2 bilhões em valores discutidos. O cenário, que já vinha se desenhando com um crescimento de ações desde 2023, ganha um novo capítulo com a entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), prevista para o próximo mês (MAIO,2026)
Neste artigo, detalhamos o que muda na prática para as empresas, o que são os riscos psicossociais e como a nova fiscalização deve impactar a sua organização.
O que são riscos psicossociais e por que estão no foco da NR-1?
A atualização da NR-1 oficializa o que especialistas em saúde do trabalhador já alertavam há anos: os fatores organizacionais são tão perigosos quanto os físicos. Os riscos psicossociais englobam aspectos da gestão e do ambiente laboral que podem causar danos à integridade psicológica dos profissionais.
Entre os principais pontos que agora entram na mira da fiscalização, estão:
Jornadas de trabalho excessivas e exaustivas;
Metas abusivas e pressão desproporcional por resultados;
Assédio moral e conflitos interpessoais contínuos;
Ausência de suporte da liderança e baixa autonomia nas funções.
Com a nova redação da NR-1, os auditores fiscais do trabalho passarão a considerar esses elementos em suas inspeções, especialmente em casos de denúncia. Isso exige que as empresas comprovem uma postura ativa no mapeamento e na mitigação desses riscos, indo muito além do discurso.
Milhões em jogo: o cenário jurídico atual
O levantamento mostra um cenário de litigiosidade crescente. Mesmo antes da nova regra entrar em vigor, 2025 já havia registrado a propositura de novas ações, e o número de processos se aproxima do patamar observado em 2017, período da reforma trabalhista. A maior parte das ações concentra-se em São Paulo e está em fase inicial de tramitação.
Uma tendência observada nas decisões recentes é a ampliação da responsabilidade patronal. A Justiça passou a reconhecer, em alguns casos, a obrigação das empresas em assegurar não apenas a integridade física, mas também condições psicológicas adequadas. Contudo, a responsabilização não é automática: os tribunais ainda exigem a comprovação do nexo causal entre o ambiente de trabalho e o adoecimento, o que demanda provas robustas tanto para empregados quanto para empregadores.
Empresas ainda em fase de adaptação
Apesar dos números bilionários e do avanço regulatório, a realidade da gestão de pessoas ainda é de adaptação. Embora muitas organizações possuam políticas voltadas a assédio e discriminação, ações estruturadas para lidar com sobrecarga crônica, estresse e bem-estar psicológico ainda estão em estágio insuficiente.
A nova NR-1 exige uma mudança prática: o mapeamento formal dos riscos psicossociais e a adoção de medidas preventivas. A falta de clareza operacional em relação a alguns pontos da norma gera dúvidas sobre o rigor da aplicação, mas uma certeza é consenso entre advogados e especialistas: o ônus da prova de um ambiente saudável recairá cada vez mais sobre as empresas.
O crescimento dos processos acompanha outro dado alarmante. Em 2025, foram concedidos quase 550 mil benefícios previdenciários relacionados a transtornos como ansiedade e depressão, um aumento de mais de 15% em relação ao período anterior. Embora nem todos esses afastamentos tenham origem ocupacional, o contexto reforça a urgência de políticas corporativas preventivas.
Conclusão: A hora de agir é agora
A nova NR-1 simboliza uma mudança de paradigma: o compliance em saúde mental não é mais uma pauta exclusiva de recursos humanos, mas sim parte integrante da gestão de riscos jurídicos e financeiros da empresa. Para reduzir a exposição a passivos e, principalmente, proteger os profissionais, as empresas precisam acelerar a implementação de programas de prevenção, capacitar lideranças e documentar esse processo. O risco bilionário não é apenas uma estatística; é um alerta para a sustentabilidade do negócio.
Levantamento aponta mais de 5 mil ações e R$ 2,2...
Ler maisEstar desempregado não livra você do Leão. Saiba quando o...
Ler maisWhatsApp us
